Arquivo de Janeiro de 2010

Mídia Acessível

Quem me conhece sabe o quanto que eu luto por uma mídia para todos. Fico surpresa em ver o quanto as pessoas são desinformadas sobre o mundo das pessoas surdas, cegas, enfim, com algum tipo de deficiência.
São uma parcela da população que consome bens, trabalham, estudam, gastam, e não se vêem respeitados no seu direito mínimo: o de receber informação acessível!
A televisão brasileira está cada vez mais excludente. Comerciais são feitos com músicas, os repórteres dos telejornais falam e não dizem seus próprios nomes, e ainda os apresentadores mandam anotar na legenda que aparece na tela. E as pessoas cegas? Vão anotar como? Azar dos comerciantes que fazem suas propagandas somente com música. As pessoas cegas nem saberão do que se trata. E os surdos que só se comunicam em Libras, então?
Fico muito preocupada…
Será que eles sabem quantos políticos estão colocando dinheiro nas meias?
Mas os surdos também são eleitores!!!
E quem faz mídia precisa INFORMAR.
São 6 milhões de brasileiros surdos. Este número é muito maior do que a população de alguns países da Europa.
Quantos sites têm vídeos com Libras?
Ah! Sim. O Telelibras e pouquíssimos parceiros.
La-men-tá-vel.
Quando é que os jornalistas deste país irão fazer uma Mídia para TODOS?
Não basta escrever bem, saber contar bem uma história. Desculpem-me. Isto é pouco para os dias de hoje.
Temos que ser profissionais MULTI. Isto significa ter uma informação e transformá-la, em diferentes formatos.
E COMPARTILHAR…

Adicionar comentário 27 de Janeiro de 2010 às 15:35 Claudia Cotes

Dia-a-dia

Minha experiência como cadeirante, depois que eu quebrei o pé, tem sido enriquecedora.
Uma coisa é você achar que a pessoa com deficiência precisa de ajuda e tentar ser solidário, outra coisa bem diferente é estar no lugar dela, ou ser uma delas.
Veja as lições que eu aprendi:
1) não preciso de piedade!
Já cansei dos olhares como “coitadinha dela”. Quando as pessoas vão achar normal ter cadeirantes entre elas?
2) há um buraco depois de cada rampa.
Pelas ruas da Vila Mariana, em SP, é assim. A roda da cadeira enrosca nos buracos e outro dia, quae caí no chão. Mas sei que há cidades em que as rampas não existem…
3) como conduzir um cadeirante?
Eu já tinha uma ligeira noção, mas vi que as pessoas não sabem MESMO! Preciso fazer vídeos sobre isso.
4) há limites
Entendo perfeitamente que nem tudo eu consigo fazer. O meu tempo mudou. Preciso ter calma, ir devagar, planejar para sair de casa, pensar em como vou chegar até o banheiro, e que meu corpo cansa com facilidade.
5) existe solidariedade
Tanta gente quer ajudar que às vezes me sinto como um bebê de colo. É engraçado…
Mas VIVA a bondade humana!
6) perdi a vez
Porque estou na cadeira de rodas, sou pouco solicitada para os trabalhos de antes. Fui fazer uma entrevista para um novo trabalho, e acho que não vai rolar por causa da minha condição. As pessoas me perguntam se eu ainda trabalho. E eu respondo que eu só quebrei o pé. A cabeça continua boa!
7) precisamos evoluir
Também fiquei indignada com a falta de consciência sobre o outro, de algumas pessoas. Anteontem eu estava em um curso. Ao final da aula, chovia muito. Eu estava com muletas, pedi um táxi e fui caminhando lentamente na chuva. Uma “espertinha” correu na minha frente, entrou no táxi e foi embora. E eu? Fiquei tomando chuva, sem fala e sem me conformar em COMO uma pessoa pode viver em sociedade SEM pensar nos outros?
8) o mundo é animal
Nada mais de ter pensamentos de Polyana sobre a vida. Se as pessoas fossem totalmente boas, pensariam em todos e o mundo seria acessível. E não é esta a realidade. Temos que TRABALHAR!
9) tal mãe, tal filhos
De tudo isso, vem a melhor das lições. A de ter dois filhos que empurram a mãe na cadeira de rodas e que ficam indignados com muitas situações. Com certeza, eles farão um mundo melhor para os meus netos.

1 comentário 21 de Janeiro de 2010 às 10:32 Claudia Cotes

Fiquei muletante. É agora!

Sei que andei pra lá de sumida.
Desculpem-me.
Eu precisava descansar…

Fiquei em Ubatuba (Ubachuva) no Ano Novo e pensei muito no crescimento da Vez da Voz na virada do ano.

Desejei novas experiências, dessas que mexem com tudo.

E divido com vcs, uma experiência boa que o Universo me faz viver.

Como todos sabem, eu ADORO andar de bike na praia!
Anteontem, eu estava voltando de um passeio quando de repente fui ATROPELADA por uma ciclista desatenta.
Ela estava correndo na bike dela e olhando pra cima. Batemos de frente. Nem deu tempo de eu gritar.
Minha bike ficou bem quebrada… coitadinha.
E eu…

Voltei ontem pra SP depois de QUATORZE horas no trânsito e fui direto pro hospital.
Conclusão: pé esquerdo quebrado, com gesso, um mês de repouso, com uso de muletas e cadeira de rodas.

Qualquer um poderia ficar triste no meu lugar, mas confesso que estou gostando de viver esta experiência.

Pensei: É AGORA!

Vou poder alugar muletas e uma cadeira de rodas. É a vez de eu sair pelas ruas, metrô e sentir as dificuldades na pele…

Hoje começo este registro.

Lição 1:
Já não consegui ser tão agitada quanto antes. O tempo mudou. Tenho que aprender a ter calma, a sentar, bem devagar…

Pra que tanta correria, não é mesmo?

Lição 2:
Minha sogra veio fazer um almocinho bom. Lavou a louça, cuidou da casa.

Sempre é bom termos pessoas que dividem a nossa dor e nos conforta. Cada brasileiro deveria ficar deficiente por um tempo.
Bom, pensando bem… eta povo deficiente!
A maior delas é a falta de visão sobre o fato de que o mundo precisa ser para todos.

Lição 3:
Choveu. Não saio de casa.
Como uma pessoa cadeirante vai andar por ruas alagadas?
E se houver um buraco embaixo da poça d´àgua e eu estiver de muletas?

O problema de muitos passa a ser problema meu.

Lição 4:
Grudei na Internet.
Não é à toa que pessoas com deficiência amam um computador.
Nem existem limites para a expressão dos sentimentos, a rede de amigos está sempre lá.

Na web, somos todos iguais. O que importa são as ideias.

Amanhã saio pras ruas…

Adicionar comentário 4 de Janeiro de 2010 às 16:28 Claudia Cotes


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