Arquivo de Novembro de 2009
Fico impressionada com o poder de comunicação da Internet!
É tanta gente interessante que entra em contato com a Vez da Voz…
Vejo um movimento de pessoas querendo algo novo, imagens mais inclusivas, para TODOS!
E me pergunto:
- Quando teremos uma mídia mais inclusiva?
Com a Internet, isto já poderia estar acontecendo…
Imagine só você ver e escutar isto na TV brasileira:
- Este assunto está em formato inclusivo, com Libras e audiodescrição em nosso site! Opine! Independente de nossas diferenças!!
É ESTA A MÍDIA QUE EU QUERO!
Ontem li um artigo que fala sobre o Decreto 5.296 - aprovado em 2004, que regulamenta a acessibilidade na comunicação para pessoas com deficiência auditiva e/ ou visual, e também sobre a Norma ABNT - NBR 15.290 - que prevê Acessibilidade em Comunicação na Televisão.
Muito bem…
As leis e normas existem.
E daí?
Odeio a expressão: “essa lei não pegou”!
Desde QUANDO uma lei precisa pegar ou não?
E é porque muitos brasileiros não levam as leis à sério que vemos políticos importantes guardando dinheiro, descaradamente, nas meias e cuecas.
Sinto vergonha de ser brasileira, muitas vezes.
Mas não vou ficar parada!
Vou aos poucos, com meu grupo e apoio de brasileiros que querem um país melhor, fazer a construção de uma mídia inclusiva - para todos.
Defendo a seguinte filosofia de vida:
- Se você deseja mudar algo, FAÇA AGORA!
Posso contar com você?
30 de Novembro de 2009 às 08:35
Claudia Cotes
Esta semana minha filha estava assistindo o desenho animado da Pequena Sereia, no Disney Chanel.
De repente ela me chamou:
- mãe, vem ver! Você vai A-DO-RAR isso…
A Pequena Sereia Ariel tinha uma amiga Gabriela, sereia, negra e surda! Ela fazia a língua de sinais e o polvo (Oly) era o intérprete. Só que a Pequena Sereia entendia tudo o que a amiga falava.
Achei DEMAIS!
Gabriela era dançarina e a Ariel queria ser como ela.
Que dignidade ter os nossos filhos admirando a diversidade humana e querendo descobrir TALENTOS nas pessoas com deficiência.
Com certeza, as crianças têm muito a nos ensinar sobre os relacionamentos.
Que bom será quando o Brasil for produtor destes conteúdos inclusivos. Somente assim, alunos vão aprender a respeitar mais seus professores, e poderão ver que a mistura na convivência social só nos faz pessoas melhores.
Minha amiga Lilian me ensina uma coisa bem bacana:
- Quer conviver com a diferença?
Então, adapte-se a ela!!
Quero produzir vídeos inclusivos e construir um país com mais oportunidade para as pessoas entenderem que a COMUNICAÇÃO precisa e deve ser para todos.
24 de Novembro de 2009 às 08:46
Claudia Cotes
A vida é realmente feita de momentos.
Tive a feliz oportunidade de conhecer a professora Crisaidi Sodré. Não aprendi só francês, mas também sobre solidariedade.
Vejam só o que ela fez com o texto que eu escrevi ontem!!!
Vous connaissez un RaconteDown?
Mon histoire avec Ariel a commencé quand il était petit.
Je faisais l’École Normale et j’ai été une stagiaire à l’école CDI, à Campinas. Deux élèves trisomiques se détachaient dans la classe : Ariel et Rafael.
Puis, quand j’étais déjà une phoniatre, j’ai reçu Ariel dans mon cabinet et lui enseigné quelques sons.
Le temps a passé et mon premier livre pour enfants a été paru… le voilà, Ariel, mon cher ami, dans la queue !
Après cela j’ai appris qu’il travaillait.
J’ai écrit mes premiers livres inclusifs et suis allée visiter Ariel pour ranimer notre amitié et contact.
Nous ne nous sommes plus separes (tant mieux) !
J’ai été la phoniatre d’Ariel pendant quelque temps et un jour j’ai noté chez lui une aisance remarquable à mémoriser des histoires.
Je lui ai dit : « Ariel, tu peux être un RaconteDown d’histoires !!! »
C’était moi alors que racontait les histoires chez les librairies, représentant l’ONG Vez da Voz.
Il a adore cette idée!
Notre partenariat a bien réussi !
Chaque jour Ariel me surprend de plus en plus.
Quand il a gagné un nez à clown de Marcos Casuo, sa parole a révélé des sons et des rimes !
Aujourd’hui j’ai un DVD avec six vidéos d’Ariel RaconteDown – bientôt sur le site.
Quand je le regarde, mon c œur bat très fort.
Je pense: “Combien y-a-t-il de trisomiques qui auraient pu raconter des histoires dans le Brésil ? »
Personne n’est plus lucide et plus pure qu’eux.
Não existem seres mais lúdicos e mais puros do que eles. Les trisomiques sont pour toujours des enfants d’une très belle pureté.
Un jour, mon fils et moi l’avons amené à la station d’autobus de São Paulo.
Mon fils Victor, qui a huit ans, a dit: “Maman, Ariel reconte très bien les histoires ! »
Je lui ai répondu : « Vi (Victor), il est un RaconteDown ! »
J’ai rigolé quand sa mère m’a dit: « Tu sais, Cláudia, Ariel ne fiche pas si quelqu’un est important ou pas. Peut-être il ne remarque pas ça.
Et j’ai pensé : « Mon Dieu ! Nous pouvions bien être comme lui!”
E que a inclusão possa ser falada em várias línguas, que promova mudanças REAIS na sociedade e que faça milhares de pessoas mais felizes!
19 de Novembro de 2009 às 15:33
Claudia Cotes
Minha história com o Ariel começou quando ele era pequeno.
Eu fazia o curso de Magistério e fui estagiária na escola CDI, em Campinas. Dois alunos com Down se destacavam na turma: o Ariel e o Rafael.
Depois de um tempo, quando eu já era fono, recebi o Ariel no meu consultório e ensinei alguns sons.
O tempo passou, lancei meu primeiro livro infantil, e lá estava ele na fila. Ariel, meu querido amigo…
Fiquei sabendo depois de um tempo que ele estava trabalhando.
Fiz meus primeiros livros inclusivos. E fui até o apto do Ariel, reatar nossa amizade e contato.
Daí, nós não nos largamos mais (ainda bem)!
Fui a fono do Ariel por mais um bom tempo, até que um dia, percebi a FACILIDADE que ele tinha em decorar histórias, e falei:
- Ariel, você pode ser um ContaDown de histórias!!!
Na época, era eu quem contava as histórias em livrarias, pela ONG Vez da Voz.
E ele amou!
Nossa, deu MUITO certo essa nossa parceria!
A cada dia, o Ariel me surpreende mais e mais. Quando ele ganhou um nariz de palhaço do Marcos Casuo, encheu-se de sons e rimas e a voz do Ariel ganhou VIDA!
Hoje, peguei um DVD com seis vídeos do Ariel como ContaDown. Já já vão pro site.
Quando vejo o Ariel atuando, meu coração fica quente.
Penso:
- Quantos Downs poderiam contar histórias por esse Brasil afora…
Não existem seres mais lúdicos e mais puros do que eles. Downs são sempre crianças. Conseguem transmitir uma pureza muito bacana.
Outro dia, meu filho e eu levamos o Ariel na rodoviária de SP.
E o Victor, que tem 8 anos falou:
- Mãe, o Ariel conta história muito bem…
E eu respondeu:
- Vi, ele é um CONTADOWN!!!!
Dei risada quando a mãe dele me falou:
- Sabe Cláudia, o Ariel não liga muito se a pessoa é importante ou não. Ele talvez não tenha consciência disso.
E eu pensei:
- Nossa, bem que todos nós poderíamos ser um pouco Ariel.
18 de Novembro de 2009 às 19:47
Claudia Cotes
Você pode acompanhar muitas novidades da ONG Vez da Voz através do Twitter.
http://twitter.com/vezdavoz
Acompanhe-nos por mais esse canal de comunicação !
17 de Novembro de 2009 às 10:44
admin
Tanta gente reclamando do apagão…
Claro que foi uma surpresa para o povo brasileiro, mas vamos procurar tirar um pouco de proveito desta situação.
Eu estava saindo do meu consultório, em Campinas/SP e tive que aguardar o porteiro abrir o portão eletrônico.
Lição 1:
Em casos difíceis, a solidariedade do outro é fundamental!
Depois, eu percebi que estava sem combustível no carro e percorri, no escuro, vários postos até encontrar um que estivesse com a bomba funcionando. Isso demorou 1 hora.
Lição 2:
A persistência é a mãe do sucesso.
Dirigi das 23h00 às 24h00 por uma estrada totalmente escura. Pedi ao Universo pra que o pneu do carro não furasse e que eu pudesse ser vista pelos caminhoneiros.
E deu certo!
Lição 3:
É preciso ter fé na vida!
Cheguei em SP, uma cidade totalmente escura, com vários obstáculos e policiais tentando organizar carros e pessoas assustadas com a escuridão. Andei por 3 túneis escuros. E achei tudo tão diferente, que eu buscava ver a iluminação do céu. De repente, as estrelas poderiam iluminar a cidade…
Lição 4:
Sempre busque novas possibilidades pra resolver um problema.
Cheguei no prédio onde eu moro, quase 1h00 da madrugada. E subi num elevador bem lento e todo escuro.
Em casa, todos estavam dormindo.
Troquei de roupa e fui lavar as mãos de olhos fechados.
Pensei comigo:
- Todos estamos Sara!
Pra quem não sabe, a Sara Bentes é minha amiga, que tem baixa visão e me ensina muitas coisas sobre a vida.
E percebi que ter uma deficiência visual nos causa várias sensações diferentes: curiosidade, calma, cuidado ao caminhar, medo do desconhecido, conforto com o que já é habitual.
Adoro o escuro na hora de dormir…
Que bom que muitos brasileiros puderam ficar Sara por algumas horas.
Lição 5 e talvez a mais sábia de todas:
- Sempre se coloque no lugar do outro pra poder compreender diferentes realidades e construir um mundo melhor…
12 de Novembro de 2009 às 09:29
Claudia Cotes
Boas notícias! Hoje li uma informação que me deixou bem feliz! O homem está cada vez mais disposto a usar a tecnologia em prol da vida ou da qualidade dela. Desta vez, a qualidade que falo está relacionada ao acesso à comunicação e cultura.
Ao mesmo tempo que os tão falados e recentes e-books estão chamando a atenção daqueles que, de forma prática, querem armazenar e acessar literatura e notícias pelos livros digitais, também estão sendo destaque entre as pessoas com deficiência visual. Pois é! É que uma empresa americana criou um leitor de e-books que tira fotos de páginas de livros e jornais e converte o texto em fala.
O aparelho, chamado de e-reader, pretende ajudar pessoas com deficiência visual ou dislexia. A tecnologia, que custa em torno de US$ 1.500 (o equivalente a R$ 2.550), suporta arquivos MP3, WAV, além de formatos de texto, e pode tocar arquivos de áudio. Por enquanto, o dispositivo estará disponível nos Estados Unidos e no Reino Unido. A companhia pretende distribui-lo em outros países no futuro.
Bom, espero que o dispositivo chegue logo ao Brasil e que seu preço seja bem mais acessível para que os dislexos, pessoas com deficiência visual e até analfabetos tenham passagem livre ao mundo da leitura, informação e cultura!
Leia a notícia aqui!
10 de Novembro de 2009 às 19:12
Roberta Lage
Esta semana dei uma entrevista pra uma rádio de SP.
E me perguntaram:
- Você nao acha que estamos evoluindo e as pessoas estão mais incluídas no Brasil?
E eu respondi:
- NÃO!
Existe sim um movimento em prol da inclusão, mas isto já acontece HÁ ANOS nos Estados Unidos, Europa, Japão…
Na minha opinião, estamos sim, é atrasados!
Que mania que brasileiro tem de achar que quando faz um pouquinho,já está legal. Antes pouquinho do que nada.
Sem essa, galera!!
A gente não quer só acessibilidade nas ruas. Queremos Educação e Arte acessível!
Queremos uma TV com audiodescrição e Libras!!
E não só pra cumprir a lei, mas porque isto é uma questão de CIDADANIA, de respeito ao ser humano.
Ando falando em Congressos e repito:
- A mídia brasileira está cega,surda, cadeirante em uma rua com buracos e tem Down. Está cega porque não enxergou ainda que há milhares de pessas que precisam da audiodescrição. Está surda porque não ouviu que há mais de 6 milhões de surdos que precisam da Libras para entender alguma informação. Está cadeirante em uma rua com buracos porque há mais de 20 anos, está parada, em um formato que não se modifica. E tem Down porque como diz o meu amigo Ariel, ela demora muito teeeeeempo para entender e compreender que a inclusão precisa ser feita AGORA!
Adoro a letra desta música:
- A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e Arte.
A gente não quer só comida. A gente quer bebida, diversão, balé.
…
A gente não só dinheiro. A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro. A gente quer INTEIRO e não pela metade!!
http://www.youtube.com/watch?v=7wE-xCWOzq0
Podíamos bem que fazer esta música em Libras, não?
7 de Novembro de 2009 às 09:16
Claudia Cotes
Oi pessoal.
Hoje estava fazendo algumas pesquisas para elaborar o roteiro de um vídeo inclusivo e encontrei uma campanha do Governo.
Intitulada “Iguais na Diferença – Pela inclusão das pessoas com deficiência”, foi criada no início do ano pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos com o objetivo de promover a inclusão.
A peça publicitária é dinâmica, moderna, interessante e inclusiva.Oferece simultaneamente três recursos de acessibilidade: audiodescrição
(descrição das cenas para as pessoas com deficiência visual), LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e uma legenda diferenciada. Ao invés dos letreiros amarelos ou brancos aparecerem, como estamos acostumados a assistir nos cinemas, a legenda aparece em camisetas, cartazes de parede, painel de ônibus, caderno de cadeirante, capa de disco, cartazes de mão, entre outros.
A legenda acompanha a música “Condição”, de Lulu Santos
A campanha, apesar de pouco divulgada (pelo menos eu não a vi em emissora nenhuma) é bastante válida. Toda iniciativa que provoque reações, mudanças e debates são muito bem-vindas. Porém, precisei assistir mais de uma vez ao filme para entender sua mensagem e principalmente acompanhar a moderna legenda. Achei que a veiculação das frases foi feita de maneira muito rápida. Será que os surdos, que não entendem a Língua de Sinais mas sim o português, conseguiram compreender as frases? Gostaria de ler opiniões. O que vocês acham?
De qualquer maneira, fica provado que fazer TV acessível não é uma tarefa fácil, mas desafiadora e nós, da Vez da Voz, trabalhamos para descobrir a melhor forma de colocar todos esses recursos de acessibilidade em prática! Estamos no começo, mas chegaremos lá!
Hoje, deixo aqui os links para os vídeos e a letra da música “Condição”, de Lulu Santos.
Vídeo
Vídeo com audiodescrição
Vale uma reflexão!
Beijos
Condição
Composição: Lulu Santos
Eu não sou diferente de ninguém
Quase todo mundo faz assim
Eu me viro bem melhor
Quando tá mais pra bom que pra ruim
Não quero causar impacto
Nem tampouco sensação
O que eu digo é muito exato
E o que cabe na canção
Qualquer um que ouve entende
Não precisa explicação
E se for pensar um pouco
Vai me dar toda razão
A senhora, a senhorita e também o cidadão
Todo mundo que se preza
Nega fogo não
Eu não sei viver sem ter carinho
É a minha condição
Eu não sei viver triste e sozinho
É a minha condição
Eu não sei viver preso ou fugindo
5 de Novembro de 2009 às 09:15
Roberta Lage
Olá! Este é meu primeiro texto no Blog da Vez! Pois é! Queremos acompanhar a tecnologia e a rapidez das informações e incluir a Vez da Voz neste universo de mídias sociais. Já temos site , estamos no Twitter, Youtube, Orkut, entre outros.
O objetivo aqui não é apenas estar onde todos estão. O que queremos mesmo é intensificar nosso lema que é “dar voz a quem não tem vez” e abrir novos caminhos para que isso aconteça.Vamos informar sobre as ações da Vez, oferecer notícias voltadas ao mundo da inclusão e até mostrar perfis de pessoas interessantes que integram nossa equipe ou mesmo que passam por nossas vidas.
E você, leitor, é parte essencial deste novo desafio. É você quem vai nos guiar. Para isso, queremos saber quais os temas que mais despertam sua curiosidade. Quais as dúvidas mais frequentes? O que devemos falar e escrever, de forma que você entenda nossa mensagem? Lembre-se: todos os assuntos devem estar relacionados às pessoas com deficiência e à inclusão social, ok?
Então, vamos lá! Está criado mais um espaço para dar voz e vez aos que têm muito a dizer, a ensinar, a emocionar!
Venha nos dar uma mão!
4 de Novembro de 2009 às 22:53
Roberta Lage
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